Temos que escolher o que vamos levar, pensar se vai estar calor, levar aquele casaco do "vai que esfria", tentar não esquecer nada... Geralmente faço um check list do que é indispensável, o que ajuda bastante.
Se tem uma coisa sem a qual não viajo de jeito nenhum, é o que chamo carinhosamente de "bolsinha do hipocondríaco". É lá que levo medicamentos de uso normal e alguns para emergências. Pode até não parecer, mas um simples Tylenol à mão pode salvar o dia. E, ainda assim, sempre acontece alguma coisa fora do roteiro que faz a gente ter que ir correndo em alguma farmácia... faz parte, especialmente no exterior, quando experimentamos comidas e bebidas que não temos o hábito de consumir, ou pegamos aquela gripe maneira.
E ainda tem a volta, quando temos que realizar o milagre da multiplicação de espaço e fazer caber todas as coisas maravilhosas que resolvemos comprar. Aí você vê que está chegando a hora de ir embora e a mala está parecendo um vulcão em erupção, com meias saindo pra todo lado, roupa suja brotando dos confins da Terra, aquele bibelô que não parecia tão frágil na loja com cara de que vai rachar ao meio com um olhar.
Começa então uma batalha épica entre você e a mala que dobrou de tamanho.
O inimigo está ali, impassível, com aquela cara de paisagem, e você tentando enfiar lá dentro a calça jeans, que veio numa boa, mas que agora parece um edredom king size que não cabe em buraco nenhum.
'Rolinhos! Vou fazer rolinhos!', e lá vai você enrolando tudo que vê pela frente. A mala parece um balcão de padaria cheio de rocamboles, mas a maldita não fecha.
Você não se dá por vencido, mas já está suando em bicas, xingando até o passarinho que está cantando lá fora. Reza por um milagre, promete que na viagem que vem não vai comprar (quase) nada.
Aquele fiozinho de dignidade que ainda lhe restava vai pras cucuias, e você faz uso de um recurso nada nobre: senta em cima do raio da mala, parecendo uma criança num pula-pula, arrasta o zíper quase arrancando os dedos fora de tanta pressão e ela fecha! Ela finalmente fecha!!!
A galera vibra, você tem vontade de sair pelo quarto dando uma volta olímpica em comemoração, pode ouvir o som dos aplausos e respira aliviado... "Vai dar tempo, vou até chegar cedo no aeroporto!!!" E então percebe que aquela necessaire gigantesca com as coisas de banheiro ficou do lado de fora. Com uma lagriminha no canto do olho, abre a mala e começa a rearrumar a bagulhada toda...
No final das contas dá tudo certo, você e a mala sobrevivem e, passado o perrengue, você se pega já sonhando com a próxima viagem...
Desta vez, a arrumação das malas está sendo completamente diferente! Não tenho que escolher nada (o que era pra ser doado já está separado) e nem me preocupar com o clima, é só tascar lá dentro absolutamente t-u-d-o que possuo! Simplificou à beça, mas o dilema continua (imagine aqui o vozeirão do Cid Moreira):
VAI CABER?
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| Vê se colabora, heim, Dona Mala? |

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